quinta-feira, 27 de julho de 2017


“No combate entre um texto apaixonante e o seu leitor: o romance ganha sempre por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute” Julio Cortázar



ESCANGALHAR
Oficina da Palavra em Construção
Orientador: Plínio Camillo


INSCRIÇÕES ABERTAS

Editora Kazuá tem o prazer de apresentar:
ESCANGALHAR: Oficina Palavra em Construção, orientada pelo escritor Plínio Camillo

As inscrições são gratuitas, estão abertas até o dia 9 de agosto (09/08), e podem ser realizadas preenchendo acessando o site da Editora Kazuá (http://editorakazua.com.br/autores/plinio-camillo/inscricoes-abertas-oficina-de-contos-escangalhar-com-plinio-camillo/)

Ou através deste endereço eletrônico: comunicacao@editorakazua.com.br (enviando os seguintes dados: nome, idade, endereço, telefone para contato e breve apresentação)

Início: 15.08
Terças e Quintas - 19:30 às 21:30hs - Dez (10) encontros de duas horas cada
Local:  Espaço Cultura Kazuá – Rua Ana Cintra, 26 – Campos Elíseos – São Paulo

Os contos produzidos na Oficina serão publicados, ao final do processo, em um livro editado pela Kazuá.


SOBRE O CURSO
Os participantes terão acesso às técnicas, estruturas e textos clássicos do gênero conto e vão realizar discussões e reflexões acerca dos elementos linguísticos que colaborem com o desenvolvimento de uma linguagem mais eficiente na escrita literária.

Na prática, os encontros serão divididos em três momentos: 
– Leitura e discussão de contos paradigmáticos;
– Produção de textos;
– Leitura e discussão dos textos produzidos pelos participantes;

O foco dos encontros é ESCANGALHAR. “Nesta Oficina, escangalhar será a prática de corroer, desamanhar e lascar as palavras e seus significados. Demolir, desarranjar, desarrumar e desencaminhar as orações. Pulverizar, subverter e transtornar as linhas literárias, pensamentos e ponto de vista. Já com as histórias, iremos enevoar, enfear, entravar, esbandalhar, fulminar, arrombar, desacomodar e perverter”, 


    ORIENTADOR  ::  PLÍNIO CAMILLO  



Escritor e educador social

LIVROS PUBLICADOS

Abigail – coletânea de contos - participação com o conto: Manual do futuro egresso – Editora Terracota

O namorado do papai ronca – romance infanto juvenil – Proac 2012 - Editora Prólogo - Selo Mundomundano - http://pliniocamillo.wordpress.com/

Assim você me mata – coletânea de contos – participação com o conto: Ne me quit pas – Editora Terracota

Coração Peludo - coletânea de contos – Editora Kazuá -  http://cervejaerua.wordpress.com/

Outras Vozes - coletânea de contos sobre o negro escravizado no Brasil – 11Editora -  http://negrosoutrasvozes.wordpress.com/

DesContos de Fadas – Coletânea de contos – Participação – Alink Editora

PRIMERAMENTE - Coletânea de contos – Participação – Alink Editora

Mantem o blog: Bombons Sortidos - http://contosbombonsortidos.wordpress.com/

Contatos:
Telefone – 11 996279640
Endereços eletrônicos: pcamillo60@uol.com.br, contos.oficina@uol.com.br




Contextos:
Narração, descrição e dissertação. Por muito tempo, esses três tipos de texto reinaram absolutos nas propostas de escrita. Consenso entre professores, essa maneira de ensinar a escrever foi uma das principais responsáveis pela falta de proficiência entre nossos estudantes. O trabalho baseado nas famosas composições e redações escolares tem uma fragilidade essencial: ele não garante o conhecimento necessário para produzir os textos que os alunos terão de escrever ao longo da vida. "Nessa abordagem, ninguém considerava quem seriam os leitores. Não havia a reflexão sobre a melhor estratégia para colocar uma ideia no papel - Telma Ferraz Leal, da Universidade Federal de Pernambuco.

Para aproximar a produção escrita das necessidades enfrentadas no dia-a-dia, o caminho atual é enfocar o desenvolvimento dos comportamentos leitores e escritores. Ou seja: levar o participante a envolver-se de forma eficiente em atividades da vida social que abrangem ler e escrever. Noticiar um fato num jornal, ensinar os passos para fazer uma sobremesa ou argumentar para conseguir que um problema seja resolvido por um órgão público: cada uma dessas ações envolve um tipo de texto com uma finalidade, um suporte e um meio de veiculação específica. Conhecer esses aspectos é condição mínima para decidir, enfim, o que escrever e de que forma fazer isso. Fica evidente que não são apenas as questões gramaticais ou notacionais (a ortografia, por exemplo) que ocupam o centro das atenções na construção da escrita, mas a maneira de elaborar o discurso. Há outro ponto fundamental nessa transformação das atividades de produção de texto: quem vai ler. O objetivo é fazer com que um leitor ausente no momento da produção compreenda o que se quis comunicar - e esse desafio requer diferentes aprendizagens. - Thais Gurgel (novaescola@fvc.org.br)

Produzir textos é um processo que envolve diferentes etapas: planejar, escrever, revisar e reescrever. Esses comportamentos escritores são os conteúdos fundamentais da produção escrita. A revisão não consiste em corrigir apenas erros ortográficos e gramaticais, como se fazia antes, mas cuidar para que o texto cumpra sua finalidade comunicativa. "Deve-se olhar para a produção dos estudantes e identificar o que provoca estranhamento no leitor dentro dos usos sociais que ela terá- Fernanda Coelho Liberali - doutora e mestre em Lingüística Aplicada pela PUC/SP




Resenhas dos Livros do Autor:

O namorado do papai ronca – Resenha de Maria Helena Martins


O autor harmoniza a linguagem internética (discurso conciso, terminologia e recursos gráficos próprios, privilégio ao diálogo) com a linguagem coloquial corrente. E, na integração desses aspectos constrói um texto efetivamente literário, pois trabalha a palavra de modo a ir além de seu uso comunicativo e cotidiano, buscando a expressividade, numa dimensão que supera modismos. Assim, o que é eminentemente coloquial, sem aspectos que se convencionou entender por literários, resulta, contudo,  em texto elaborado, pois que o autor impregna-o de densidade significativa, por meio de figuras de linguagem como repetição/reiteração, enfatizando o aspecto emocional de quem a usa e para quem se dirige no contexto da obra.

Mais do que a questão vocabular, o uso de expressões coloquiais ou comuns na internet (cf. p.81, a mais marcante nesse aspecto), chama a atenção o modo como Camillo desenvolve o diálogo-relato, vivo e rápido mas suficientemente denso e sugestivo para se conhecer o…





Outras Vozes – Resenha de Cátia Maringolo

(Professora, Mestra em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e doutoranda em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais.)


As narrativas tão amplamente disseminadas e recorrentemente mostradas em filmes, livros de história e novelas açucaradas de final de tarde pintam um quadro da escravidão no Brasil que perpassa pela narrativa de feitores benignos e a favor da igualdade entre todos e todas, brancos ou negros, ou de negros e negras escravizados conformados com a situação de opressão, humilhação e violência. A história do negro entre nós aparece como uma narrativa homogênea e uníssona, onde simplesmente é esquecida – ou apagada – a voz do próprio negro, daquele que foi constantemente destituído de sua própria humanidade, a fim de garantir a manutenção do sistema.

As Outras Vozes, vozes destes tornados outros, alheios e inumanos, questionam os discursos totalizantes e excludentes sobre a experiência real de negras e negros escravizados: ao invés de corroborar a ideia de que o regime no Brasil foi mais brando do que em outros países, ou mesmo de que a liberdade concedida foi fruto da assinatura de uma lei, ou que a experiência servil foi a mesma para todos os negros e negras, essas Outras Vozes possibilitam de forma contundente a não aceitação da narrativa que constrói uma postura submissa das vítimas perante a situação de opressão a que estavam condenadas. Ao contrário: vê-se aqui sua participação ativa e permanente na busca por liberdade e por novas formas de vida. E, para além das dualidades opressor versus oprimido, conformismo versus ativismo, os contos presentes em Outras Vozes (11 Editora, 2015) criam um leque multicolorido de experiências. E problematizam noções estanques sobre masculinidade, feminilidade, submissão, opressão, exclusão, homossexualidade, heteronormatividade, violência de gênero e racial. Se a luta pela liberdade não é esquecida e se realiza até mesmo pela via da morte do opressor ou do suicídio de quem arrasta as correntes; também se faz presente a corroboração do sistema, em que muitos libertos oprimem seus irmãos de cor.



https://negrosoutrasvozes.wordpress.com/2016/09/05/outras-vozes-resenha-de-catia-maringolo/

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