quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Projeto para público infantil renova tradição oral

Projeto para público infantil renova tradição oral


Com nove anos de existência, o projeto itinerante Caçando Histórias promove espetáculos com atividades lúdicas e narrativas afro-brasileiras para o público infantil. A ideia vem de Kemla Baptista, pedagoga pernambucana que viveu um período no Rio de Janeiro. Kemla é uma equede, nome dado no candomblé ao posto de “zeladora dos orixás”.
As apresentações têm como objetivo difundir a cultura afro-brasileira. O trabalho permite que as crianças tenham contato com obras e contos clássicos de tradições de origem africana. A musicalidade também é desenvolvida por meio da inclusão de ritmos como o samba, o jongo e o maracatu.  Após os espetáculos, acontecem atividades em grupos com base em técnicas de arte-terapia e ligadas à dança e expressão corporal.
O projeto começou entre as crianças de axé nas comunidades de terreiro no Rio de Janeiro. Hoje também ocorrem oficinas em escolas, organizações não-governamentais e espaços públicos. Kemla está agora em Pernambuco e nessa nova temporada propõe, por meio dos contos míticos, o encontro das tradições do candomblé Ketu com a tradição Nagô Egbá, tão forte no estado. O local que vai acolher a temporada é o Ilê Axé Orixalá Talabí, terreiro reconhecido como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), situado no município de Paulista, na região metropolitana de Recife.
Convivência
Kemla conta que toda a programação é construída após um período de convivência com a comunidade que vai receber os espetáculos. “No caso dos terreiros, buscamos reverenciar o orixá que fundou a casa e adequar o tema da apresentação ao calendário religioso”, explica a pedagoga.
A iniciativa constitui uma ferramenta à disposição das escolas para o cumprimento da Lei nº 10.639, de 2003, que estabelece diretrizes e bases da educação nacional. Essa legislação incluiu no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.
Na opinião da pedagoga, as oficinas se mostram eficientes em ajudar crianças e adolescentes a canalizarem suas emoções, despertando o lado criativo. Kemla informa que essa característica permitiu que o Caçando Estórias alcançasse excelentes resultados com crianças em situação de vulnerabilidade social, em comunidades como as do Complexo da Maré e Complexo do Alemão.
Quem quiser acompanhar o Caçando Estóriaspode procurar nas redes sociais. Nelas, Kemla dá sugestões semanalmente de livros da literatura infanto-juvenil, músicas e propostas de atividades lúdicas para realizar em casa ou na escola.
Fonte: Fundação Cultural Palmares

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