domingo, 25 de junho de 2017

Kiriku famosa lenda africana de bebê guerreiro vai virar série de livros

“Kiriku”, a lenda do recém-nascido guerreiro que salvou toda uma aldeia de uma feiticeira má virou filme, espetáculo de teatro, já foi traduzido para mais de 50 países e, agora, vai virar uma série de livros.
A editora brasileira Viajante do Tempo vai lançar, no próximo dia 19 de novembro, os livros “Kiriku e a feiticeira” e “Kiriku e o colar da discórdia”, ambos inspirados no filme “Kiriku e a Feiticeira”, produção franco-belga de 1998, dirigida por Michel Ancelot. O lançamento será feito durante a Feira e Livros do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.
A história é referência em cultura africana, e sua abordagem permite trabalhar com as crianças temas de suma importância, como senso de comunidade, costumes sociais, preconceitos, escravização, respeito, alteridade e tolerância.

Sobre a história

Kiriku ou Kiriku e a Feiticeira é um longa-metragem de animação franco-belga de 1998 dirigido por Michel Ocelot. O diretor do filme, passou parte da infância na Guiné, onde conheceu a lenda de Kiriku.[1]
O filme retrata uma lenda africana, em que um recém-nascido superdotado que sabe falar, andar e correr muito rápido se incumbe de salvar a sua aldeia de Karabá, uma feiticeira terrível que deu fim a todos os guerreiros da aldeia, secou a sua fonte d’água e roubou todo o ouro das mulheres. Kiriku é tratado de forma ambígua pelas pessoas de sua aldeia, por ser um bebê, é desprezado pelos mais velhos quando tenta ajudá-los, porém, quando realiza atos heróicos, suas façanhas são muito comemoradas, embora logo em seguida voltem a desprezá-lo. Apenas a sua mãe lhe trata de acordo com sua inteligência.

quarta-feira, 14 de junho de 2017




Geledés apresenta a pesquisa Mulheres Negras e Violência Doméstica: decodificando os números, realizada com apoio do edital Fundo Fale Sem Medo 2016, uma iniciativa do Instituto Avon e ELAS Fundo de Investimento Social. É uma produção que se une às reivindicações das mulheres negras por políticas públicas que revertam sua primazia nos dados estatísticos sobre homicídio de mulheres.
Os relatos de mulheres negras e não negras que utilizam Centros de Defesa e de Convivência da Mulher – CDCMs revelaram as dinâmicas já demonstradas em outros estudos sobre a violência doméstica: machismo, violências física e sexual; conflitos intrafamiliares, questões socioeconômicas, disputas patrimoniais etc. Porém contribuiu para desnudar as dinâmicas diferenciadas da violência psicológica, onde a cor da pele é um importante instrumento simbólico utilizado para a submissão, humilhação, desumanização e preservação do controle e do poder sobre os corpos e mentes de mulheres negras. Suas contribuições também salientaram as diversas restrições para o acesso e a utilização dos equipamentos voltados para o enfrentamento da violência contra a mulher.
A pesquisa também ouviu as profissionais que atendem nos CRMs e CDCMs, que trouxeram os desafios para a plena execução da rede de enfrentamento à violência contra a mulher; as violações aos direitos das mulheres muitas vezes realizadas pelos serviços de segurança pública e o judiciário; as especificidades dos territórios em que os equipamentos estão localizados e o estrangulamento da política pública; além da urgência de uma efetiva articulação entre os serviços públicos.

terça-feira, 13 de junho de 2017



    Amapá sedia virada afro em junho 



Será realizado dia 16 a 18 de junho a VIRADA AFRO – CIRCUITO CULTURAL AMAPÁ AFRO. O evento contará com uma feira internacional, unindo cultura e comércio de produtos afro-éticos em uma grande celebração. Haverá além da vitrine de exposição de produtos diversos, shows de grande porte com atrações artísticas locais, nacionais e internacionais. Palestras sobre Racismo Institucional serão ministradas e todas as linguagens artísticas da cultura negra se reunirão em um único espaço.
Acontecerá no trecho que compreende a Rua Azarias da Costa Neto (frente do Novo Hotel Macapá) até a Fortaleza de São José, na Orla de Macapá. É uma ação conjunta dos Governos Federal e Estadual em parceria com a Fundação Cultural Palmares. A programação faz parte de ações de políticas afirmativas que estão sendo promovidas.
A festa será animada com vários grupos de batuque e Marabaixo como o Tambor de crioula de Porto Grande. Em frente à Casa do Artesão haverá roda de capoeira e maculelê. Comunidades tradicionais de matriz africana realizarão o Rito de Exû para dar abertura à programação.
Para o dia 16, também estão previstos desfile de moda afro, apresentação do grupo de pagode Perfil do Samba, Jorginho do Cavaco, Dayse Pinheiro e Dudu Nobre. No dia 17, no palco alternativo ocorrerá uma batalha de hip-hop e além de diversas atrações, no palco principal passará Venilton Leal, banda Afro Brasil, Negro de Nós e um show internacional com a banda Catephris. No último dia da Virada Afro o grupo Araketu tocará suas músicas para encerrar a festividade.
Veja a programação completa aqui.
fonte pesquisada :: http://www.palmares.gov.br/

Esta marca apoia o projeto CaraECULTURANEGRA

sábado, 20 de maio de 2017

25 de Maio - O dia da África

25 de Maio de 1963 o dia do primeiro e grande passo em direção a liberdade

quarta-feira by Mateus Santana

Hoje dia 25 de maio é exaltado mais um dia de conquista e reflexão ao povo negro. É comemorado o Dia da África ou Dia de Libertação da África.
A data refere-se ao dia em que 32 chefes de estado africanos reuniram-se em Addis AbebaEtiópia, no dia 25 de maio de 1963. Encontro que teve como objetivo, defender e emancipar o continente africano, libertando-o do colonialismo e do apartheid.
Os líderes presentes com o objetivo de tirar a África das mãos do domínio Europeu, assinaram uma carta de fundação e criaram a OUA (Organização de Unidade Africana). A divisão da África entre os europeus foi definida pela Conferência de Berlim, entre os anos de 1884 e 1885, e dava aos europeus o direito às riquezas humanas e naturais do continente.
Organização das Nações Unidas (ONU), ao ver a importância desse encontro, instituiu em 1972 o Dia da África. O dia também representa também um profundo significado da memória coletiva dos povos do continente e a demonstração de objetivo comum de unidade e solidariedade dos africanos na luta pelo desenvolvimento econômico do continente.
A OUA, mostrou-se incapaz de resolver os conflitos surgidos continuamente em toda a parte do continente, os indicadores econômicos ainda não eram animadores, e em várias partes do continente os ocorriam golpes de estado e guerras civis.
Assim, no dia 12 de Julho de 2002, o último presidente da OUA, o sul-africano, Thabo Mbeki proclamou solenemente o fim da Organização de Unidade Africana e o nascimento da União Africana (UA), com foco ainda em superar os desafios que o continente estava tendo.
Contundo, resolveu-se manter a comemoração do Dia da África no dia 25 de Maio, pois foi a data em que foi tomado o ponto de partida do desejo de uma África livre, com seus governos, sonhos, desenvolvimento e progresso.
O Dia da África é celebrado em diversos países ao redor do mundo. No Brasil esse dia serve pra promover o reconhecimento da importância da interseção da história e da cultura africana com a história brasileira e mais uma oportunidade para organizar festividades culturais como, exposições, filmes, debates e conferências sobre questões importantes para o povo negro.
Apesar dessa comemoração ocorrer em diversos países do mundo e em todos países do continente africano. Somente em Gana, Mali, Namíbia, Zâmbia e o Zimbabwe, tem o Dia da África, como feriado.
Fontes:

Pavilhão da Serpentine terá a assinatura de Diébédo Kéré

O arquiteto africano imprime à famosa mostra de arquitetura a força de suas raízes

Uma árvore usada como ponto de encontro e reuniões na vila natal do arquiteto serviu de inspiração ao pavilhão de 300 m²: a cobertura vazada de madeira apoia-se numa estrutura central de aço tal qual copa frondosa, filtrando a luz e liberando a circulação de ar. Nas paredes pintadas de azul, combinam-se blocos pré-fabricados, também de madeira. (Divulgação/Kéré Architecture)


Ele nasceu no vilarejo de Gando, em Burquina Faso, local com apenas 2 500 habitantes. Como primeiro filho do chefe da Comunidade, Diébédo Francis Kéré era das poucas crianças permitidas a estudar.


O aplicado garoto ganhou logo uma bolsa na Alemanha, onde formou-se e tem hoje seu escritório. Ainda estudante, criou uma fundação para conseguir construir uma escola em sua vila, trabalho que lhe rendeu reconhecimento internacional e no qual Desenvolveu estratégias inovadoras ao associar técnicas locais tradicionais e materiais modernos.

Cores e tijolos de terra crua marcam esta extensão para 120 alunos da escola primária de Gando, obra importante de Diébédo, concluída em 2008. (Divulgação/Erik Jan Ouwerkerk)


Essa linguagem também aparece no pavilhão temporário proposto para a edição 2017 da famosa mostra de arquitetura Serpentine, realizada de 23 de junho a 8 de outubro no Kensington Gardens. “Em Burquina Faso, me acostumei à dura realidade do clima e da paisagem. Por isso, foi interessante pensar como minha contribuição neste caso poderia não apenas melhorar a experiência dos visitantes da exposição com a natureza em volta mas também estimular a conexão entre as pessoas”, afirma Diébédo.

Loja temporária da marca Camper, erguida em 2015 no campus da Vitra, na Alemanha. (Divulgação/Eduardo Perez)







quinta-feira, 18 de maio de 2017


SAWABONA!!!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:

"Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim"

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:

"Então, eu existo pra você"

Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito.

Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.
A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.
A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.

Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".

Sawabona Shikoba!






sexta-feira, 12 de maio de 2017

       O abismo entre Brancos e Negros


A desigualdade entre negros e brancos em um gráfico
Em uma década, desigualdade entre brancos e negros caiu pela metade graças a avanços em Educação – mas o negros ainda têm um IDHM 14% menor
Por Talita Abrantes no Exame
Um negro no Brasil ganha, em média, a metade da renda de um branco. É o que mostra estudo divulgado nesta quarta-feira (10) pelo escritório brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE).
Na prática, segundo o relatório, os negros brasileiros levaram 10 anos para atingir o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) experimentado pelos brancos no ano 2000. Mesmo assim, o IDHM desse grupo da sociedade continuou a avançar e, em 2010, era 14,4% superior ao dos negros.
Os dados revelam que a experiência de vida de uma pessoa com a cor da pele negra é mais difícil do que a de quem tem a cor branca em todos os sentidos. Os negros também vivem menos, estudam menos  e moram em casas com infraestrutura pior.
Mas, em uma década, a desigualdade entre os dois grupos caiu pela metade graças, em grande medida, aos avanços dos negros em Educação. Eis uma pista de como corrigir anos de injustiça social.
http://www.geledes.org.br/o-abismo-entre-brancos-e-negros/#gs.rvGUI8E

  Por que os negros não comemoram o 13 de maio, dia da       abolição da escravatura?


A Lei Áurea foi assinada pela princesa Isabel em 1888
A Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil, foi assinada em 13 de maio de 1888. A data, no entanto, não é comemorada pelo movimento negro. A razão é o tratamento dispensado aos que se tornaram ex-escravos no País. “Naquele momento, faltou criar as condições para que a população negra pudesse ter um tipo de inserção mais digna na sociedade”, disse Luiza Bairros, ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
Após o fim da escravidão, de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), em sua obra “A integração do negro na sociedade de classes”, de 1964, as classes dominantes não contribuíram para a inserção dos ex-escravos no novo formato de trabalho.
“Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumisse encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho”, diz o texto.
De acordo com a Bairros, houve, então, um debate sobre a necessidade de prover algum recurso à população recém-saída da condição de escrava. Esse recurso, que seria o acesso à terra, importante para que as famílias iniciassem uma nova vida, não foi concedido aos negros. Mesmo o já precário espaço no mercado de trabalho que era ocupado por essa população passou a ser destinado a trabalhadores brancos ou estrangeiros, conforme Luiza Bairros.
Integrante da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga explica que “O 13 de maio entrou para o calendário da história do país, então não tem como negar o fato. Agora, para o movimento negro, essa data é algo a ser reelaborado, porque houve uma abolição formal, mas os negros continuaram excluídos do processo social”.
“Essa data é, desde o início dos anos 80, considerada pelo movimento negro como um dia nacional de luta contra o racismo. Exatamente para chamar atenção da sociedade para mostrar que a abolição legal da escravidão não garantiu condições reais de participação na sociedade para a população negra no Brasil”, completou a ex-ministra.
Ela defende, porém, que as mudanças nesse cenário de exclusão e discriminação estão acontecendo. “Nos últimos anos, o governo adotou um conjuntos de políticas sociais que, aliadas à política de valorização do salário mínimo, criou condições de aumento da renda na população negra”.
Inclusão do negro ainda é meta
 Apesar dessas políticas, tanto a ex-ministra quanto Braga entendem que ainda há muito por fazer.
O representante da Unegro cita algumas das expressões do racismo e da desigualdade, no país: “No Congresso, menos de 9% dos parlamentares são negros, enquanto que a população que se declara negra, no Brasil, chega a 51%. Estamos vendo também manifestações de racismo nos esportes, principalmente no futebol. Ainda temos muito a caminhar”.
“Ainda estamos tentando recuperar a forma traumática como essa abolição aconteceu, deixando a população negra à sua própria sorte. Como os negros partiram de um patamar muito baixo, teremos que acelerar esse processo com ações afirmativas, para que possamos sentir uma diminuição mais significativa das desigualdades”, explicou Bairros.
fonte.: http://www.geledes.org.br/por-que-os-negros-nao-comemoram-o-13-de-maio-dia-da-abolicao-da-escravatura/#gs.eZ5KWsA

sexta-feira, 28 de abril de 2017

MUSEU AFRO BRASILEIRO





O Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera em São Paulo, destaca a perspectiva africana na formação do patrimônio, identidade e cultura brasileira, celebrando a Memória, História e a Arte Brasileira e a Afro Brasileira.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Brasil precisa rever como trata os negros, diz professor Nelson Inocêncio


Brasil precisa rever como trata os negros, diz professor ativista
Professor da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Inocêncio vê contradição: de um lado, Estado garante as cotas raciais nas universidades; de outro, permite o extermínio de jovens negros





            Nelson Inocêncio: “Precisamos de medidas mais enfáticas em relação à violência, porque estamos numa situação limite”


Sionei Ricardo Leão, especial para o Congresso em Foco
Doutor em artes plásticas, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Nelson Inocêncio é um ativista da causa da igualdade racial reconhecido nacionalmente.  Para ele, é inegável o avanço conquistado pelos negros no país desde a implantação das cotas nas universidades. Mas o momento, acredita, é de reavaliar as políticas afirmativas, voltadas sobretudo para a população afrodescendente.
Um dos maiores desafios, aponta, está na área da segurança pública em razão dos dados alarmantes sobre homicídios de jovens negros. Em Brasília, para cada jovem branco assassinado, há sete jovens negros vítimas de homicídio, exemplifica o professor. Uma realidade que se repete em todo o país, segundo as estatísticas. “Os governos, com uma mão, oferecem e implementam medidas para o avanço; e com a outra, agridem. Isso é muito estranho”, diz Nelson Inocêncio.
De acordo com o último Mapa da Violência, divulgado este ano, houve um salto assustador no número de vítimas de assassinato negras na última década. Enquanto diminuiu de 19.846, em 2002, para 14.928, em 2012, o contingente de vítimas brancas, o de negras aumentou de 29.656 para 41.127 no mesmo período.
“Precisamos de medidas mais enfáticas em relação à violência, porque estamos numa situação limite. Esse dano terrível que é a mortalidade da população negra precisa ser enfrentado”, defende. Militante do PSB, mesmo partido do governador eleito, Rodrigo Rollemberg, o professor diz que é preciso reformular a secretaria distrital de Promoção da Igualdade Racial para enfrentar problemas de gestão e aproximá-la das demandas da sociedade.
Congresso em Foco - A seu ver, qual é o contexto em que estamos quando se trata da defesa da igualdade racial e combate ao racismo no Brasil?

Nelson Inocêncio – Estamos num momento em que precisamos avaliar o alcance dessas políticas, pois nos falta compreensão mais abrangente sobre os êxitos delas. Além disso, precisamos nos situar do ponto de vista institucional. É inquietante verificar que, ao mesmo tempo em que o Estado adota ações avançadas nessa área, por outro, conduz e mantém um aparato que reprime de forma extremamente violenta a população afrodescendente, principalmente, a juventude negra. Ou seja, os governos, com uma mão, oferecem e implementam medidas para o avanço; e com a outra, agridem. Isso é muito estranho.

O que o leva defender que é momento de reflexão?
Em primeiro lugar, temos que reconhecer que o Brasil é outro desde a adoção dessas políticas afirmativas, até porque se passaram pelo menos dez anos de que essas ações vêm sendo adotadas na área da igualdade racial, um conceito que se consagrou. Portanto, é chegada a hora de verificarmos os resultados disso tudo. Ao mesmo tempo, é preciso mais diálogo com os movimentos sociais propiciados pelas estruturas de governo que estão à frente desses projetos. Estou me reportando à Seppir nacional (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República) e às pastas correlatas nas esferas estaduais e municipais. Um bom exemplo é o Juventude Viva, adotado pelo governo federal, que tem um papel preventivo, que pode ser um mote para compreendermos a qualidade dessas políticas. Em resumo, penso que não basta adotar essas ações. Precisamos de medidas mais enfáticas em relação à violência. Repito isso sempre porque estamos numa situação limite. Esse dano terrível que é a mortalidade da população negra precisa ser enfrentado.

Um dos maiores alcances dessas políticas tem a ver com as cotas nas universidades…
Sim. A UnB onde leciono é um espelho disso. Hoje ao caminharmos pelo campus da instituição é evidente que houve uma mudança marcante. Quero dizer, não se pode ignorar que as reservas de vagas garantiram o ingresso de milhares de jovens negros nos cursos, o que é um dado novo, uma realidade importante. Isso também está ocorrendo em praticamente todos os estados, o que nos leva a refletir e considerar sobre novas relações acadêmicas em todos os sentidos.

Falando um pouco agora da sua militância partidária, como o PSB trata internamente temas como diversidade, tolerância religiosa e combate ao racismo?
O PSB possui na sua estrutura um conjunto de segmentos que constituem o movimento social, como o movimento de mulheres, LGBT, juventude, sindical, popular e movimento negro. Tais segmentos vêm alimentando o projeto político do partido há anos. De modo que um governo protagonizado pelo PSB deve contemplar as demandas apresentadas pelos próprios núcleos do partido. É nesse sentido que eu vejo a futura gestão Rollemberg, ou seja, que não prescindirá do compromisso com a causa negra e outras causas.

Qual é o perfil do movimento negro no PSB?
Dentro de nossa legenda esse segmento chama-se Negritude Socialista Brasileira (NSB), que está organizado nacionalmente e que possui uma executiva nacional composta por dez membros. No DF a NSB teve papel relevante há quatro anos na discussão juntamente com PCdoB, PDT e PT, que se traduziu numa carta ao governador e que derivou na criação da atual Secretaria para a Promoção da Igualdade Racial do DF.

Mas vocês não compuseram a pasta…
Na época o PT, após a criação da secretaria, decidiu não compartilhar responsabilidades no que diz respeito à formulação de políticas na questão racial, assumindo integralmente a secretaria e recusando dividir decisões e compromissos com a base aliada. Por isso, decidimos não integrar formalmente a pasta. Mais tarde houve um rompimento, inicialmente, em nível local, quando em plenária realizada em dezembro de 2012, o PSB-DF decide sair da base aliada que dava sustentação ao governo Agnelo. No ano seguinte, o PSB nacional também deixou a base de apoio ao governo Dilma Roussef e deu inicio à construção da candidatura de Eduardo Campos à presidência da República, até porque as práticas de não compartilhamento eram gerais. Na minha avaliação, o governo Agnelo se aproximou muito mais dos partidos de direita que compunham a sua base aliada, confinando ao isolamento os outros partidos.

O que o PSB tem a oferecer na área da igualdade racial ao DF?
O partido tem a oferecer para a população negra políticas públicas que denotem o reconhecimento do Estado com a dividida histórica de cunho racial com a população afrodescendente.

Em termos de ações como se traduz isso?
No plano da segurança queremos garantir e intervir para enfrentar as taxas alarmantes de mortalidade da população negra. Pretendemos contribuir para a realização de cursos perenes nas escolas de polícia para a mudança da qualidade da intervenção policial. Na educação, a meta é a do desenvolvimento de um programa efetivo para a implementação das mudanças na Lei de Diretrizes e Bases, fruto da promulgação das leis 10.639 e 11.645 (ensino da temática indígena). É igualmente importante garantirmos a manutenção das políticas de acesso da população ao ensino superior. Na cultura, a intenção é a do fortalecimento das entidades religiosas de matriz africana como o fomento de iniciativas artísticas e culturais protagonizados por negros e negras. No Fundo de Apoio à Cultura (FAC), como já acontece em nível federal, por exemplo, deve-se destinar uma parcela dos recursos para a cultura afro-brasileira. Na saúde, implementação de cursos de qualificação dos profissionais para apreender a lidar com as enfermidades que afetam com mais frequência a população negra, porque há um profundo desconhecimento sobre isso. Nas relações de trabalho, desenvolvimento de estratégias sistemáticas ao racismo institucional nas empresas públicas. Aprimoramento dos mecanismos de combate à discriminação racial no trabalho.

É possível dar conta disso com a atual estrutura?
Boa pergunta. A nossa compreensão é que a pasta precisa se fortalecida e contar com aporte de recursos. Há várias demandas, mas acrescento outra muito relevante que é a da mulher negra, na área da saúde. Isso é decisivo porque há vários indicadores que apontam para uma fragilidade desse segmento na rede hospitalar. Penso também que a valorização da estética e da autoestima têm um recorte especial na questão de gênero.

Existem críticas que vêm circulando na imprensa, classificando a Sepir-DF como outras pastas da atual gestão como espaços de mero preenchimento de cargos e que, portanto, deveriam ser extintos ou reduzidos. O que o senhor pensa a respeito?
Quando um órgão público possui problemas de gestão, nós extinguimos o órgão ou mudamos a gestão, essa é a grande questão? Tudo tem a ver com prioridades. Consideremos o fato da população negra do DF ser mais de 53% do contingente local, consideremos o fato dessa população viver as mais diversas vulnerabilidades, como no caso da violência que atinge de forma fatídica a juventude negra. Éramos, ate 2012, a quarta unidade mais violenta da federação e nesse mapa o recorte racial também assusta.  Em Brasília, para cada jovem branco morto, sete jovens negros perdem a vida vítima de homicídios. Somos umas das unidades da federação onde a população negra mais cresce proporcionalmente. Todavia, é um crescimento desassistido, o que nos obriga a pensar a otimização das políticas públicas. Logo, razões existem de sobra para justificar a existência de uma secretaria, o que não significa concordar com sua má gestão.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A DIÁSPORA AFRICANA, presente em
todos os cantos do mundo, representa
parte fundamental do patrimônio cultural e
político africano e dos países de
acolhimento e mantém viva a consciência
de suas origens


"Ah! mulheres negras
essas impressionantes
sempre a importar a mais funda
ancestralidade!
Ah! mulheres, úteros de verdades
tamanhas!
Geração de vida permanente
junto ao silêncio da profusão de cores das
formas de vida!
Ah! mulheres-esteio! Sois marcas do
fundamento da humanidade
desde África
se espraiando por um planeta sem sentido
onde dar depende do que se tem de volta!
Ah, essas mulheres, essas negras
veludos de conforto e aflição.
Ah! mulheres, velhas mulheres negras
portando a sabedoria do porvir
que não perdoa
aqueles que não se fazem irmãos!!!
Mulheres negras"

Ana Maria Felippe