domingo, 17 de dezembro de 2017

2 DE DEZEMBRO DIA DO SAMBA




2 de Dezembro, dia do Samba! A verdadeira história


Todo ano surge na imprensa uma série de afirmações infundadas sobre a origem do Dia do Samba, comemorado em dois de dezembro. A mais comum delas é a de que o compositor Ari Barroso teria visitado Salvador pela primeira vez em um dia dois de dezembro e, em função disso, a Câmara Municipal daquela cidade criou essa data comemorativa. Com o objetivo de esclarecer a origem do Dia do Samba, trago aqui a verdade, fruto de exaustiva e documentada pesquisa. Vamos lá: entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro de 1962 foi realizado no Palácio Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, o Primeiro Congresso Nacional do Samba, evento patrocinado pela Confederação Brasileira das Escolas de Samba (CBES), pela Associação Brasileira das Escolas de Samba (ABES), pela Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, pelo Conselho Nacional de Cultura e pela Ordem dos Músicos do Brasil. Na presidência do Congresso estava o folclorista Edison Carneiro, responsável pela redação da Carta do Samba, a qual menciona, em sua página 6, que “Foi sancionada lei estadual declarando o dia 2 de dezembro Dia do Samba, à base de projeto apresentado, nesse sentido, pelo deputado Frota Aguiar”. Ao mencionar a sanção da lei, a Carta do Samba contava, antecipadamente, com a aprovação do Projeto de Lei n° 681, de 19 de novembro de 1962 (publicado no Diário da Assembleia Legislativa do dia 20 de novembro de 1962), que em seu artigo 1° dispõe: “Fica o dia 2 de dezembro oficialmente considerado como o Dia do Samba”. Todavia, apesar de aprovado em plenário, o projeto foi vetado pelo então Governador Carlos Lacerda. Este veto foi posteriormente rejeitado pelo Plenário, com o voto de vinte e nove deputados, transformando-se na Lei n° 554, de 27 de julho de 1964. Assinada no dia 29 de julho pelo Deputado Vitorino James, presidente da Assembleia, ela foi publicada no Diário Oficial do Estado da Guanabara, no dia 7 de agosto de 1964.

Paralelamente, o vereador soteropolitano Luiz Monteiro da Costa, ciente da deliberação do Primeiro Congresso Nacional do Samba, apresentou na Câmara Municipal de Salvador, em 3 de outubro de 1963, o projeto de lei n° 164/63, que “institui o Dia do Samba, manda preservar as características da música popular e dá outras providências”. Em seu projeto, o vereador menciona explicitamente, em seu artigo 2°, a Carta do Samba. Menciona também, no § único daquele artigo, que as comemorações do Dia do Samba em Salvador naquele ano de 1963 seriam em homenagem ao compositor Ary Barroso “após a entrega do título de ‘Cidadão da Cidade de Salvador’ que lhe concedeu a Câmara Municipal de Vereadores da Cidade de Salvador” (estranhamente, a própria Câmara Municipal, em resposta a consulta por mim formulada, diz não ter conhecimento da concessão desse título, que não deve ser confundido com o de “Cidadão Baiano”, concedido em junho de 1956 por iniciativa de estudantes e professores universitários de Salvador). 

O que se sabe é que em 18 de novembro de 1963, data da assinatura pelo Prefeito de Salvador da Lei n° 1.543, resultante da conversão do citado Projeto de Lei, Ary Barroso encontrava-se internado na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, gravemente enfermo e desenganado pelos médicos. Provavelmente a homenagem proposta pelo vereador Luiz Monteiro da Costa seja explicada pelo estado de saúde de Ary Barroso, que viria a falecer pouco tempo depois, no dia 9 de fevereiro de 1964.

Como se vê, tanto a Lei Estadual n° 554/64, do Estado da Guanabara, quanto a Lei Municipal n° 1.543/63, da Cidade de Salvador, surgiram a partir da Carta do Samba, aprovada no Primeiro Congresso Nacional do Samba, mencionando-a explicitamente. Assim, a criação do Dia do Samba é fruto daquele Congresso. Destaque-se que o II Congresso Nacional do Samba, realizado em novembro de 1963 no Estado da Guanabara, traz em seu boletim de encerramento nova menção ao dia 2 de Dezembro como Dia do Samba dizendo textualmente: “Nas escolas de samba da Guanabara e nos redutos principais do samba, nessa data, o samba será festejado com o repicar de tamborins, com o ‘roncar’ das cuícas e com uma alvorada de 21 batidas no ‘surdo’. O tão esperado Dia do Samba também será comemorado pelas emissoras de rádio que apresentarão programas com gravações de nossa consagrada música popular”. Com efeito, a partir de 1963 o Dia do Samba passou a ser comemorado em algumas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e Santos. Com o passar do tempo, essas comemorações alcançaram abrangência nacional, com a realização de rodas de samba, shows e outras solenidades.

Não há assim, até a presente data, nenhuma lei federal criando o Dia Nacional do Samba: foram apresentados alguns projetos de lei nesse sentido, mas nenhum deles foi objeto de votação pela Câmara Federal. O certo é que, independentemente disso, o Dia Nacional do Samba é hoje uma data consolidada, correspondendo à expectativa daqueles que firmaram a Carta do Samba no longínquo dia 2 de dezembro de 1962.



sábado, 16 de dezembro de 2017

CALENDÁRIO DA HISTÓRIA DO NEGRO NO BRASIL E NO MUNDO



  Calendário internacional da cultura negra

Espaço destinado a divulgar informações sobre datas que marcaram a história do negro no Brasil e no mundo; história herdada e continuada por várias gerações; história de uma luta que produziu e irá produzir, por tempo indeterminado, um grande número de datas que merecem e merecerão ser lembradas. Por este motivo, este calendário virtual é inacabado e estará em contínua construção. 
Dia 01
– O ofício da Baiana do Acarajé é tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Nacional (2004).
Dia 02
– Dia Nacional do Samba, uma das principais vertentes artísticas da cultura negra.
Dia 05
– Retrocesso: Constituição proíbe negros e leprosos de freqüentar escolas públicas no Brasil (1824).
Dia 10
– Aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).
Dia 20
– Lei nº 7437/85 Estabelece como contravenção penal o tratamento discriminatório no mercado de trabalho, por motivo de raça/cor (1985).

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Selo da diversidade racial é recebido por 140 empresas em Salvador


Por Raquel Saraiva Do Correio24Horas
Nesta quinta-feira (14) a Secretaria Municipal de Reparação (Semur)  promoveu a cerimônia anual de outorga das empresas participantes do selo da diversidade étnico-racial. Cerca de 140 empresas participantes das categorias reconhecimento e compromisso tiveram a certificação renovada na ocasião. A Rede Bahia foi uma das empresas certificadas na categoria compromisso.
As organizações contempladas seguem um plano de trabalho no sentido de promover ações de combate ao racismo, através da inclusão da juventude negra no mercado de trabalho, do apoio a programas de primeiro emprego, formação de colaboradores para combater a discriminação racial, além de ações no ambiente de trabalho voltadas para a comunidade, parceiros e fornecedores.
“Este Selo proporciona a possibilidade de dialogarmos com as empresas para refletirem e identificarem como todas as formas de preconceitos e as discriminações se manifestam no nosso cotidiano e no mercado de trabalho, dentro das organizações” ressalta Leomar Borges, coordenador do Programa do Selo.
De acordo com Ivete Sacramento, secretária da Semur, o selo da diversidade étnico-racial representa uma política pública de sensibilização das instituições, valorizando a igualdade étnica no ambiente interno das instituições.
“O que nos importa não é a empresa apenas empregar as pessoas afrodescendentes, mas também qualificá-las para melhor serviço ao público, oferecendo a oportunidade de crescimento profissional”, ressaltou a secretária, acrescentando que a população de Salvador é composta por 82% de negros.
Ao obter a certificação, as instituições participantes assumem o compromisso de fazer um censo étnico-racial e desenvolver ações de combate ao racismo no ambiente de trabalho. A concessão do selo é renovada anualmente e, para se garantir entre os premiados, as instituições e empresas devem atender a diversos critérios pré-estabelecidos por um Comitê Gestor.
“Precisamos forjar mudanças de comportamento e promover políticas públicas e organizacionais de reparação e promoção da equidade racial. É a possibilidade de gerar oportunidades para atrair talentos, se posicionar estrategicamente no mercado, tornando-se mais competitivo e tendo  maior lucratividade” ressalta Leomar Borges.
Durante a cerimônia de outorga nesta quinta, que ocorreu  no auditório do São Salvador Hotéis e Convenções, no Stiep, os representantes da rede Carrefour, Dow Brasil e Unifacs apresentaram casos de sucessos e ações de promoção de igualdade social praticados em cada ambiente de trabalho.
A gerente de Diversidade e Responsabilidade da Carrefour, Karina Chaves, revelou que o corpo de trabalhadores da empresa no Brasil possui 42% de negros em cargos de liderança. Já Patrícia Pastori, coordenadora de Extensão Comunitária da Unifacs, apresentou o lançamento do curso de extensão Diversidade Racial LGBT.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Rappin Hood


   Rappin Hood


Um estilo musical como forma de contestação da juventude negra. Surgido nos guetos da Jamaica, o rap invadiu os bairros pobres e negros norte-americanos, depois ganhou o mundo.

No Brasil, há mais de duas décadas vem se firmando como um estilo de música e contestação da  juventude negra e hoje ganha novos adeptos entre a juventude de classe média branca. O cenário não poderia ser mais autêntico: um campo de futebol em Heliópolis, uma das maiores favelas do Brasil foi o palco para esta entrevista.

Como surgiu o rap em sua vida?

O rap surgiu por intermédio dos meus tios, que faziam bailes no interior de São Paulo. Eu os acompanhava e escutava muita coisa, fazia bailinhos de garagem aqui na capital, também era meio Dj, com o que arrecadava dos bailes comprava os discos, fitas cassete... Gravava as fitas só para tocar nos bailes, era o tempo do funk. Surgiu Black Junior, Pepeu, Os Metralhas, Thayde, Ice Jack., foi nesse tempo...Na verdade eu já era um dançarino, eu já era um break, eu já dançava o break. Do break pro rap foi um passo.


O rap é parte do Hip Hop. Uma surge como forma contestadora da juventude negra norte-americana e depois a brasileira, como você avalia isso hoje?


O rap no Brasil ainda mantém, não totalmente, um pouco dessa história de contestação, de ser a voz da periferia, embora estejam surgindo novos nomes que compõem um rap mais comercial, desengajado e estão certos, porque o rap é isso, também é música de lazer. Eu, por ser da velha escola, faço um rap de raiz. Gosto mesmo é do rap com comprometimento. Estamos em um momento de divisor de águas com o surgimento de novas bandas, uma outra história. Mano Brown, considerado líder do principal grupo de rap do Brasil, está revendo conceitos, quando dá entrevista para o Roda Viva (programa da TV Cultura), por exemplo, passa a fazer parte da mídia. Representa um momento novo, diferenciado para o rap brasileiro. É legal assistir a esse crescimento, espero que seja uma evolução da qualidade musical, também nas letras e nos discursos literários. Eu vejo o rap como a grande música de agora. Qualquer país conhece Snoop Dog, 50 Cent. Hoje em dia todo mundo sabe o que é o rap, bem diferente de 20 anos atrás.

Que recado você daria para o jovem negro da periferia com poucas oportunidades e que vê no rap uma das saídas da exclusão?
Se for um dançarino pode participar de um videoclipe; o grafiteiro, caso consiga fazer um grafite e até mesmo gravar um CD, precisa saber é que vai ter de esperar até ganhar reconhecimento e algum dinheiro com isso, mas deve esclarecer que é só o começo. O jovem não vai ficar rico com isso, pode ser, tomara que ele vire o novo Basquiat (grafiteiro nova-iorquino), mas não precisa pensar nisso, conquistar propriedades, carros luxuosos... Ele necessita saber que o rap é um caminho, um estilo de vida, algo digno. Então, o que eu aconselho ao jovem que queira entrar no rap é o seguinte: ter persistência, paciência, dedicação, lutar, praticar, se aprimorar, procurar estudar música. Aí, talvez, ele possa galgar o sucesso; eu não acredito em sucesso sem trabalho, sem estudo. Creio é o que diz a velha frase: “99% de transpiração e 1 % de inspiração”. Esse 1% que é abençoado!

Você acha que o governo tem programas adequados à juventude negra no Brasil?
Não! Depois da criação do SEPPIR - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, vejo que houve pela primeira vez uma pequena preocupação em falar com esse público, mas significa pouco. Existe muita resistência ainda ao sistema de cotas e pouco comprometimento dos políticos e consequentemente, da sociedade como um todo. Há pouco engajamento até do próprio povo negro em se informar, reivindicar, se fortalecer. A gente tem que dar muitos passos e espero estar colaborando para que esses passos sejam dados, não só por mim, mas pelo meu filho Martin, pelos netos que eu ainda possa ter e também pelos meus ancestrais.

Alguns críticos do seu trabalho o classificam como puramente comercial e que, às vezes, foge da linha política do hip hop. Como você recebe essas opiniões?
Estou tranquilo, porque acho que quem fala não faz. O rap já é de esquerda, nasceu de esquerda e não vai deixar de ser esquerda, é extrema esquerda, radical, entendeu? Mas pra mim todo radical aprende que só gritar não adianta. É necessário realizar e para isso a gente tem que aprender a negociar. Eu gosto de falar e muito. Quando realizo eu me sinto bem dentro da minha comunidade, eu não sou uma pessoa que curte dizer tudo o que faz, porque quem faz não fica falando. Nessa linha um grande exemplo foi Ayrton Senna, que, após a morte dele, soubemos que havia realizado muitas coisas. Quando não cobro “jabadas” das bandas novas pra tocar no rádio estou fazendo. Ao abrir espaço no meu programa de rádio para bandas irem lá fazer entrevistas sem pagar nada, estou fazendo. Ser radical qualquer um pode dizer que é, preciso ver a ação.

Há uns tempos atrás o presidente Lula chamou várias lideranças do hip hop para uma conversa, como foi?
Interessante. O rap teve a chance de ir até o presidente, e eu fico pensando: a gente deveria não ter ido? Poderíamos perder esse momento de ser ouvido? Voltando a falar nos radicais, eles se posicionaram dizendo: “somos do Rap, a gente não vai”. Foi uma oportunidade que o rap teve de falar o que pensa para quem realmente está fazendo história, representou a hora até de traçar um paralelo nessa conversa, desenvolver projetos juntos. Infelizmente, o próprio hip hop não se entendeu para que isso se concretizasse. Então, eu acho que aí está o resultado de um radicalismo sem compromisso em fazer as coisas acontecerem.

Na década de 80, um ex-Pantera Negra visitou o Brasil, esteve aqui no Heliópolis e disse: “Esse país precisa urgentemente de uma revolução”. Você convive aqui. A frase continua válida nos dias de hoje?

Com certeza! Ele visitou aqui nos tempos dos barracos de madeira. Hoje em dia mudou para alvenaria, só isso. Além de ter aumentado, Heliópolis é um Vietnã brasileiro. Infelizmente, acho que uma revolução vai demorar para acontecer. Somos um povo pacato, um povo que não está muito a fim dessa luta. Por exemplo, tenho maior respeito pelo MST (Movimento dos Sem-Terra). Eu acho que os militantes fazem parte da linha de frente da guerrilha e não só no discurso. Eles estão na guerrilha mesmo, não é brincadeira. Tem gente presa, gente morrendo. Os caras põem a mão em arma. A gente sabe que irão morrer muitos. Tínhamos que ser todos assim. O povo talvez não esteja preparado para isso. Eu tento colaborar com rap, essa é a minha espécie de revolução. Procuro mostrar com rap como usam nossa mente. Fazer a revolução, aprender a votar, a questionar, pôr em prática a nossa cidadania. Acho que essa é a revolução que o rap prega. Infelizmente o povo brasileiro não tem este apetite. Veja a universidade, não é dos pobres, mas sim dos alunos que têm dinheiro pra estudar. O povo hoje em dia talvez não esteja preparado para esta revolução. Os grandes investidores e empresários latifundiários coligados a importantes conglomerados internacionais, endinheirados, que vivem aqui, terão que ficar isolados, atrás de muros altos, segurança e cão de guarda. Porque as ruas vão virar um caos.


Quando você juntou o Rap ao Samba e à MPB, como foi a reação dos tradicionalistas naquele momento?

Realmente era um tabu. Hoje outros seguem a mesma linha, depois que o primeiro foi e tomou pancada, ficou mais fácil. No começo houve resistência, sim. Muitos questionavam a mistura. Fico feliz em ter conseguido criar essa ponte. Eu acho que são muitas coisas próximas: samba, reggae, rap. Tudo é música negra. Eu me sinto à vontade para transitar nesses mundos; eu me identifico totalmente. Mas teve resistência. Hoje parece que estão aderindo.


Você tem um programa de rádio há muitos anos e grande penetração na TV aberta. Como é sua relação com a mídia?

O Rap do Bom é meu programa de rádio há sete anos na 105 FM. Também fiquei um tempo no Metrópolis, com o quadro “Mano a Mano”, toda quarta-feira e agora seguimos na preparação desse piloto do Rap do Bom na TV. É um desafio fazer algo na TV para o público do hip hop, um programa com nossa cara, a nossa identidade, mostrar hip hop da forma mais digna e mais verdadeira possível com relação à mídia. Eu acredito que quem é verdadeiro não tem que ter receio de se mostrar nem ter medo da mídia, pois isso significa um espelho, o que vem vai voltar na cara. Eu não tenho medo da mídia. Só que eu sei que ela constrói e destrói. Todos que estão nesse jogo sabem disso.

Como foi gravar com a escola Olodum?
Legal conhecer o trabalho maravilhoso do Olodum, o Pelô. Conhecer aquela terra. Foi minha primeira vez lá. Chegamos à noite, eu e o Negro House no Pelô. Parecíamos duas crianças: “o início de nosso povo foi aqui, o povo desceu, veio direto da África, na Meca brasileira, uma maravilha, aquela auto-estima”. E assistir ao trabalho do Olodum, que deixa qualquer um impressionado, feito com a criançada, com a comunidade. Muito bom participar deste CD do Olodum.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Quilombolas Contemporâneos: quem são




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Coleção Terras de Quilombos retrata duas comunidades do Piauí

Duas das 14 publicações lançadas em 2017 com o selo da Coleção Terras de Quilombos abordam a história das comunidades quilombolas Sabonete e Lagoas, localizadas no sul do Piauí. A coleção é fruto de parceria entre o Incra, a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Desde 2015, o projeto já lançou 45 livretos, todos eles disponíveis para serem baixados gratuitamente a partir do site do Incra em www.incra.gov.br/memoria_quilombola.
A comunidade quilombola Sabonete fica entre os municípios de Isaías Coelho e Campinas do Piauí e é formada por 47 famílias, em um território de 1.962 hectares, distando 407 km da capital Teresina.
Já a comunidade quilombola Lagoas é a quarta maior em extensão e em número de famílias no Brasil. Com uma área de mais de 62 mil hectares, possui 1.498 famílias quilombolas, distribuídas em mais de 100 pequenas comunidades. O território é localizado entre os municípios de São Raimundo Nonato, Fartura do Piauí, Várzea Branca, São Lourenço do Piauí, Dirceu Arcoverde e Bonfim do Piauí.
“Com estes livretos, as comunidades quilombolas Sabonete e Lagoas ganham mais visibilidade. As obras resumem e tornam acessíveis, para a sociedade em geral e em linguagem de fácil compreensão, as informações contidas nos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) durante o processo de regularização fundiária de territórios quilombolas”, informa o assegurador do Serviço Quilombola do Incra/PI, Eduardo Campos da Rocha.
Os livretos da Coleção Terras de Quilombo estão organizados por ano de publicação e trazem a reconstituição histórica dos territórios tradicionais através de narrativas que contam sobre a formação e resistência das comunidades, com depoimentos dos próprios quilombolas. Em 2015, foram lançadas 16 obras, e em 2016, outros 15 livretos.
A publicação que retrata a comunidade Sabonete está disponível neste link. Já a obra sobre a comunidade Lagoas pode ser acessada neste link.
Assessoria de Comunicação Social do Incra/PI
(86) 3222-1553
comunicacao.social@tsa.incra.gov.br
twitter: @incrapiaui
www.incra.gov.br/pi
fonte:: http://www.palmares.gov.br/